INFECÇÃO URINÁRIA NA CRIANÇA
O que é infecção urinária?

 

Na infecção do trato urinário (ITU) a criança apresenta um crescimento anormal de bactéria na urina.
 
Cerca de 1 a 2% das crianças apresentam infecção urinária.
 
A bactéria Escherichia coli é a responsável por mais de 75% das infecções urinárias na infância.
 
A infecção pode estar na bexiga (cistite) ou no rim (pielonefrite).
Quais são os sintomas da infecção urinária na criança?

 

Eles variam de acordo com a faixa etária da criança e tipo de ITU (cistite ou pielonefrite). Nos lactentes são os sintomas são menos específicos do trato urinário; e, naqueles menores de seis meses de idade podem apresentar atraso do desenvolvimento, desidratação e hipotermia.
 
Nas crianças com cistite (infecção da bexiga) podem apresentar:
 
  • Dor para urinar (disúria)
  • Odor da urina muito forte e desagradável
  • Dor no “baixo ventre”
  • Alterações do padrão miccional: urgência para urinar, frequência urinária aumentada e hesitação miccional.
  • Escapes de urina
 
Nas crianças com pielonefrite (infecção que acomete os rins) os sintomas incluem:
 
  • Febre alta (por vezes com calafrios)
  • Irritabilidade
  • Vômitos
  • Perda de apetite
  • Dor lombar (nas crianças maiores)

 

Quais são os fatores de risco ou causa da infecção urinária na criança?

 

Algumas condições contribuem para desencadear a infecção urinária na criança, vale a pena destacarmos:
 
Meninas – apresentam uretra curta, localizada no períneo e que no seu interior entram bactérias da flora normal perineal. Normalmente, essas bactérias são eliminadas ao urinar sem causar problemas. Condições que mudam essa flora normal (tais como vaginite, medicamentos, outras doenças, condições de stress) podem causar infecção urinária. Algumas meninas podem apresentar “micção vaginal” (urinam para dentro da vagina) podendo contribuir para causar infecção urinária. Nas adolescentes deve ser considerado a atividade sexual como um fator desencadeante de infecção urinária. 
 
Meninos – a fimose e o excesso de prepúcio contribuem para colonização de bactérias e constitui causa preponderante de infecção urinária nos meninos. Esta é uma indicação formal de postectomia.
 
Constipação intestinal (“prisão de ventre”). 
 
Distúrbios miccionais (com ou sem incontinência urinária).
 
Malformações congênitas do trato urinário: refluxo vesico ureteral, obstrução da JUP, hidronefrose, megaureter, ureterocele, válvula de uretra posterior, obstrução da JUV, etc. 
Como é feito o diagnóstico de infecção urinária na criança?

 

Quando a história clínica e avaliação física da criança leva a suspeita de infecção urinária deverá ser feito exame de urina para confirmar o diagnóstico (EAS e urinocultura).
 
Uma coleta de urina de forma correta é de fundamental importância. Nos lactentes ou crianças que não tem o controle esfincteriano, a urina deve ser obtida através de um cateter introduzido pela uretra. Atenção a amostra obtida por saco coletor não é confiável.
 
A urina da criança é analisada no laboratório para detectar se há crescimento de bactéria (exame chamado de urinocultura). Este exame irá permitir sabermos qual o tipo de bactéria que está causando a infecção e qual o melhor antibiótico para tratar aquela infecção.
 
Alteração nos exames de urina de crianças com infecção urinária.

 

EAS (elementos anormais no sedimento urinário) - piúria, ou seja, a presença de número aumentado de piócitos (> 10 / mm³), observação de bactérias, prova do nitrito positiva, entre outras alterações.
 
Urinocultura (cultura da urina) - é considerada positiva para infecção urinária quando apresenta crescimento de bactérias igual ou superior a 100.000 colônias/ml na amostra miccional limpa. Esse número é bem menor quando a urina for colhida por um cateter passado pela uretra num atendimento hospitalar. A presença de duas ou mais bactérias significam que houve contaminação no momento da coleta da urina, portanto, não é diagnóstico de infecção urinária.
Tratamento da infecção urinária na criança.

 

Na fase inicial é importante que seja feito o diagnóstico correto do tipo de infecção urinária (cistite ou pielonefrite). A conduta a ser seguida irá depender dos sintomas, dos resultados dos exames de urina e da idade da criança.
 
Nas crianças com sintomas de infecção da bexiga (cistite) serão focados: hábitos de higiene, esvaziamento vesical, aumento da ingestão de líquidos e controle da constipação intestinal quando presente. Poderão ser necessários estudos da micção, treinamento miccional e apoio psicológico em algumas crianças. 
 
Se a criança teve infecção nos rins (pielonefrite) após o tratamento da mesma, alguns exames poderão ser necessários: ultrassonografia do trato urinário, uretrocistografia miccional e cintilografia renal com DMSA. Dependendo do resultado destes exames será definido o tratamento para aquela criança.
Abordagem do bebê na emergência pediátrica.

 

Se o pediatra suspeita de infecção urinária como causa da febre do bebê e acha que deve iniciar antibiótico é fortemente recomendável:
1. Colher uma amostra de urina ANTES de iniciar o antibiótico para fazer os exames de EAS e urinocultura.
2. A urina deve ser obtida por CATETER (sonda introduzida pela uretra).  Amostra obtida por saco coletor não é confiável.
Quais as indicações para internação hospitalar de uma criança com infecção urinária?

 

  • Paciente toxêmico ou séptico.
  • Paciente com sinais de obstrução urinária (sem urinar e aumento do volume no baixo ventre por distensão da bexiga).
  • Pacientes que não conseguirão fazer medicação e hidratação por via oral.
  • Lactentes com menos de 2 meses e apresentando infecção febril (provável pielonefrite, ou seja, infecção renal).
  • Todos os recém nascidos com suspeita de ITU, mesmo que não febril.
Ultrassonografia do trato urinário na criança que teve o diagnóstico de infecção urinária confirmado.

 

• Crianças com infecção urinária febril devem ser submetidas a ultrassonografia do trato urinário
 
• A ultrassonografia deve ser realizada dentro dos dois primeiros dias de tratamento, exceto se houver uma rápida melhora clínica.
 
• A ultrassonografia pré-natal normal não exclui uma anormalidade no trato urinário.
 

Dr. Domingos Bica

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