EXPERIÊNCIA CIRÚRGICA
Como escolhemos a técnica cirúrgica para cada tipo
de hipospádia.
Cada criança apresenta características anatômicas próprias. Nesta página explicamos, de forma simples, como escolhemos a técnica cirúrgica mais adequada para cada caso e mostramos resultados reais de diferentes reconstruções realizadas por nossa equipe.
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CLASSIFICAÇÃO
Graus de complexidade
A hipospádia apresenta diferentes graus de complexidade. O meato uretral pode estar localizado desde próximo à ponta do pênis até regiões mais proximais, como a porção médio-peniana, penoescrotal, escrotal ou perineal. Essa localização permite uma classificação anatômica inicial, mas não determina, isoladamente, a complexidade do caso nem a técnica cirúrgica.
Nesta ilustração podem ser vistos os principais tipos anatômicos de hipospádia.
A posição do meato, isoladamente, não define a cirurgia. A avaliação considera principalmente a presença e o grau de curvatura ventral, a anatomia e a qualidade da placa uretral e, nos casos secundários, as cirurgias realizadas anteriormente. Em hipospádias com curvatura acentuada, a posição definitiva do meato somente pode ser adequadamente considerada após a retificação do pênis. É o conjunto dessas características anatômicas que orienta a escolha da técnica cirúrgica mais adequada para cada criança.
GLANDAR
Hipospádia glandar
Técnica de Avanço Parameatal (Snyder)
Técnica desenvolvida pelo Dr. Howard Snyder, uma das referências da Urologia Pediátrica mundial, no Children's Hospital of Philadelphia (EUA), onde realizamos parte da nossa formação internacional.
Indicada em casos selecionados de hipospádia glandar, permitindo reposicionar o meato uretral na ponta da glande, buscando um resultado funcional e anatômico natural.


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1. Meatoplastia - reposicionamento do meato
2. Glanduloplastia - reconstrução da glande
Nas hipospádias glandares, geralmente não há necessidade de reconstrução extensa da uretra. Quando o meato se localiza mais abaixo, utilizamos outras técnicas cirúrgicas, como veremos a seguir.
DISTAL
Hipospádias distais e médio-penianas
Nas hipospádias distais e médio-penianas, quando não há curvatura significativa que exija correção prévia, a escolha da técnica depende principalmente das características da placa uretral. Sua largura, profundidade e qualidade ajudam a definir a reconstrução mais adequada para cada criança.
Técnica de Duplay
Tubularização da placa uretral para reconstrução da uretra em uma única etapa. É uma opção quando a placa uretral é larga, profunda e bem desenvolvida, permitindo sua tubularização sem necessidade de incisão para alargamento.

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1. Reconstrução da uretra (uretroplastia)
2. Meato e glanduloplastia
Técnica de TIP (Snodgrass)
Utilizada em hipospádias distais quando a placa uretral é discretamente estreita, mas apresenta boa qualidade. Procedimento desenvolvido pelo Dr. Warren Snodgrass, no qual é uma incisão longitudinal limitada na linha média dorsal da placa permite seu alargamento antes da tubularização. Em nossa prática, evitamos incisões extensas da placa uretral, especialmente nas reconstruções mais longas.

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1. Incisão longitudinal da placa uretral
2. Uretroplastia
3. Meato e glanduloplastia
Técnica de Dorsal Inlay
Quando a placa uretral é mais estreita e não permite uma tubularização adequada, podemos ampliá-la com um enxerto de mucosa obtido do prepúcio dorsal. O enxerto é aplicado sobre a incisão da placa uretral e, em casos selecionados, permite realizar a reconstrução em um único tempo cirúrgico. Em placas muito estreitas ou reconstruções mais extensas, podemos preferir uma abordagem em dois estágios.

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1. Área de obtenção do enxerto prepúcio
2. Enxerto aplicado na placa incisada
3. Uretroplastia
4. Meato e glanduloplastia
Essas técnicas podem ser utilizadas principalmente nas hipospádias distais e médio-penianas. A escolha entre elas depende das características anatômicas encontradas durante a avaliação, especialmente da qualidade, largura e profundidade da placa uretral. O objetivo é reconstruir a uretra preservando sua função e buscando um resultado anatômico adequado para cada criança.
HIPOSPÁDIAS PROXIMAIS
Hipospádia proximal ou com severa curvatura.
Nas hipospádias proximais, a posição do meato não é o único fator que determina a reconstrução. Avaliamos especialmente a intensidade da curvatura ventral, a qualidade da placa uretral e a necessidade ou não de seccioná-la para obter a retificação adequada do pênis. Quando a correção da curvatura exige a secção da placa ou quando não há tecido uretral adequado para uma reconstrução segura em tempo único, podemos optar pela reconstrução em dois estágios.
Reconstrução em dois estágios com enxerto de mucosa prepucial
Esta abordagem é utilizada em casos selecionados de hipospádia proximal ou com curvatura acentuada, especialmente quando a retificação do pênis exige a secção da placa uretral. Após a correção completa da curvatura, utilizamos um enxerto de mucosa obtido do prepúcio dorsal para criar uma nova placa uretral, que posteriormente servirá de base para a reconstrução da uretra.
Primeira etapa
Realizamos inicialmente a correção da curvatura ventral até obter a retificação adequada do pênis. Quando é necessária a secção da placa uretral, um enxerto de mucosa prepucial é aplicado sobre a face ventral, formando uma nova placa que, após sua integração e cicatrização, servirá de base para a reconstrução da uretra na segunda etapa.



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1. Obtenção do enxerto de mucosa prepucial
2. Enxerto aplicado à face ventral para formação da nova placa uretral
Segunda etapa
Após a completa integração e maturação do enxerto, a nova placa uretral é tubularizada para reconstruir a uretra até a glande. Nessa etapa realizamos a uretroplastia, seguida da reconstrução do meato e da glande, buscando restabelecer anatomia e função adequadas.

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1. Uretroplastia
2. Aspecto final da cirurgia - após o meato e glanduloplastia
COMPLEXA E REOPERAÇÕES
Hipospádia complexa ou reoperações.
Casos complexos de hipospádia podem exigir reconstruções em múltiplos estágios. Isso ocorre tanto em algumas formas primárias, especialmente quando há curvatura ventral acentuada e necessidade de secção da placa uretral, quanto em pacientes já submetidos a cirurgias anteriores, nos quais cicatrizes, fibrose e menor disponibilidade de tecidos tornam a reconstrução mais desafiadora.
Reconstrução em estágios com enxerto de mucosa bucal
Quando os tecidos locais não oferecem condições adequadas para a reconstrução da uretra, a mucosa bucal pode ser utilizada para criar uma nova placa uretral.
Nos casos em que a retificação do pênis e a colocação do enxerto podem ser realizadas no mesmo tempo cirúrgico, a reconstrução pode seguir o conceito STAG (Staged Tubularized Autograft), com posterior tubularização do enxerto em uma segunda etapa.
Em reoperações mais complexas, com fibrose importante ou curvatura residual, pode ser necessário primeiro retificar o pênis e preparar adequadamente os tecidos, deixando o enxerto para uma etapa posterior. Essa estratégia corresponde ao conceito STAC (Straighten and Close) e pode resultar em uma reconstrução realizada em três tempos.
Enxerto de mucosa bucal
A mucosa retirada da parte interna da boca e utilizada como enxerto para reconstruir a superfície onde posteriormente será formada a nova uretra. Em casos de fibrose importante, podem ser necessárias etapas adicionais antes da reconstrução definitiva.

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1. Área doadora do enxerto de mucosa bucal
2. Enxerto para revestir a face ventral do pênis.
RESULTADOS
Resultados reais: antes e depois.
Não existe uma técnica universal para todas as hipospádias. A escolha depende da anatomia, da curvatura do pênis, das características da placa uretral, dos tecidos disponíveis e da experiência da equipe cirúrgica. Os casos abaixo mostram como diferentes técnicas podem ser utilizadas de acordo com as características de cada criança.
Tratar a hipospádia exige compreender a anatomia e dominar diferentes técnicas e recursos reconstrutivos. Esse repertório permite adaptar e combinar princípios cirúrgicos para realizar a reconstrução mais adequada às características de cada criança.
ACOMPANHAMENTO
Cuidados pós-operatórios.
Além da técnica cirúrgica, uma recuperação bem conduzida é fundamental para alcançar bons resultados. Por isso, os cuidados e o acompanhamento pós-operatório fazem parte integrante do tratamento da hipospádia.
Sonda urinária
Na maioria das reconstruções, a criança permanece com uma sonda urinária temporária por alguns dias, permitindo a drenagem da urina enquanto ocorre a cicatrização da uretra.
Acompanhamento médico
O acompanhamento é realizado de forma próxima e criteriosa, permitindo avaliar a cicatrização, acompanhar a evolução da reconstrução e orientar cada fase da recuperação.
Curativo com dupla fralda (para bebês)

Curativo com extensão para a perna (para crianças maiores)


Referência
em cirurgia de hipospádia.
Há mais de 25 anos dedicados à cirurgia reconstrutiva pediátrica, com ampla experiência em hipospádias primárias, casos secundários, reoperações e reconstruções com enxerto.
Se o seu filho foi diagnosticado com hipospádia, uma avaliação criteriosa permite compreender as características do caso e definir a estratégia mais adequada para o tratamento.
DR. DOMINGOS BICA
UROLOGISTA PEDIÁTRICO
DOCUMENTAÇÃO CIRÚRGICA
Resultados reais de reconstrução de hipospádia
Para pais e responsáveis que desejam conhecer com maior profundidade o tratamento cirúrgico, reunimos uma documentação clínica com fotografias sequenciais e vídeos de cirurgias reais realizadas pelo Prof. Dr. Domingos Bica e sua equipe.










